POEM

O que é a POEM?

 

             A acalasia é um distúrbio de motilidade esofágica caracterizado pelo relaxamento incompleto do esfíncter esofágico inferior (EEI), aumento do tônus do EEI ou perda da peristalse do esôfago devido à degeneração dos neurônios mioentéricos da parede esofágica. A acalasia pode ser classificada em primária ou idiopática, e secundária à infecção pelo protozoário Trypanossoma cruzi, agente etiológico da doença de Chagas. Os principais sintomas do megaesôfago consistem: disfagia de longa duração, odinofagia, regurgitação, azia, dor retroesternal e perda ponderal.

          A miotomia endoscópica da acalasia do esôfago consiste na criação de túnel submucoso, dissecção do músculo do EEI e fechamento da mucosa.

 

Como deve ser o preparo para o tratamento cirurgico?

           A preparação é em tudo semelhante à da Endoscopia Digestiva Alta, embora possa ser necessário fazer um jejum mais prolongado ou uma dieta líquida na véspera para evitar que o divertículo de Zenker esteja cheio de alimentos no dia do exame. Por norma, este tratamento é efetuado sob anestesia geral.

Quais complicações podem ocorrer?

 

           As principais complicações no per e no pós-operatório imediato dessa técnica são pneumoperitôneo, enfisema subcutâneo, atelectasia, pneumomediastino, pneumorretroperitôneo, congestão pulmonar, derrame pleural e sangramento. Na maioria das vezes, essas complicações podem ser manejadas de forma conservadora.

     Uma preocupação no seguimento após o POEM é o refluxo gastroesofágico. Sua incidência ainda não está bem estabelecida na literatura, porém, a maioria dos pacientes que evolui com refluxo, apresenta esofagite leve (graus A ou B de Los Angeles) e respondem ao uso de inibidores de bomba de prótons.

 

Quais recomendações no pós operatorio?

 

        Imediatamente após o procedimento, o paciente deve ser submetido a RX de tórax para avaliação de eventual pneumotórax ou pneumomediastino.  A dissecção de CO2 para abdômen, tórax e mediatino pode ocorrer em até 20% dos pacientes.

            Deve-se manter o paciente em jejum por 24h e esofagograma com contraste hidrossolúvel para descartar fístula e avaliar a passagem do líquido para o estômago. O paciente deve manter dieta líquida por 7 dias, quando então se progride a dieta para pastosa e subsequentemente, sólida. Os pacientes recebem alta, geralmente no 1 ou 2 dia após o procedimento, com uso de inibidor de bomba de prótons por 30 dias.

           O POEM é considerado bem sucedido quando os pacientes passam a apresentar escore de Eckardt ≤ 3.